Minha maternidade

O sonho de toda mulher (pelo menos quase todas) é ser mãe, acredito que nós já nascemos com esse instinto que começa a ser “treinado” na infância com suas bonecas, brincando de casinha, enfim, e comigo não foi diferente. Sempre tive o desejo de ter um filho, sonhei com ele, sonhei com um menino lindo, literalmente eu sonhei, e nesse sonho ele era bem pequeno e eu falava isso para uma pessoa “olha que lindo que ele é tão pequeninho e tão lindo”, e assim aconteceu, meu filho nasceu de 07 meses pesando 1520kg, com 40cm – bem pequeno.

Não imaginava as surpresas que a maternidade poderia me preparar, afinal eu só conhecia um lado: o de cuidar, alimentar, brincar, ficar cansada com os choros noturnos, trocar fraldas, se preocupar em como amamentar na rua, entre outras coisas, porém comigo foi bem diferente.

Tive um filho prematuro, abaixo do peso, que nasceu com atresia doesôfago (o esôfago superior não se conecta ao esôfago inferior e ao estômago, por isso ele não engolia o líquido na barriga, causando o aumento de líquido), ele foi operado ao 3° dia por um anjo que Deus preparou na terra, após a cirurgia foram longos dias de recuperação, aproximadamente uns 10/15 dias, pode parecer pouco, mas para uma mãe são longos dias.

Esse inicio resultou em difíceis 69 dias de UTI neonatal, tive um ótimo acompanhamento na gestação, a minha obstetra conseguiu prever o possível parto prematuro e receitou doses e doses de corticoide, graças a isso, meu pequeno guerreiro nasceu com um pulmão de touro, mas esse problema do esôfago aliado a prematuridade prolongou nossos dias no hospital, tendo que realizar um trabalho árduo para ele ser um criança normal: sessões de fisioterapia, sessões com Fonoaudióloga pra que aprendesse a sugar e deglutir, já que na barriga não fez todo esse exercício por conta da atresia, tudo indo muito bem, ate o momento que tiraram a sonda nasogástrica e ele começou a ser alimentado por boca.

Mais uma medo, mais duvidas vieram, pois a partir desse momento ele passou a ter muitos e muitos vômitos, chegando ao ponto de se afogar, então diagnosticaram refluxo, mas sabe aquele anjo que falei ali acima, preparado por Deus?! Entrou em cena mais uma vez e diagnosticou uma estenose esofágica, um estreitamento no esôfago que dificultou no ganho de peso e na introdução alimentar, no caso dele, essa estenose foi causada pora uma cartilagem da traqueia estava apertando o esôfago, essa cartilagem foi para o lugar errado na hora da formação, mas quando diagnosticou, a médica preferiu opera-lo após os 6 meses, pois esse quadro poderia reverter, mas não aconteceu, infelizmente meu filho não pode comer como a maioria das crianças, sua alimentação sempre foi bem pastosa, todas as vezes que tentei mudar a consistência era sem sucesso, porém isso e nem a prematuridade fez dele uma criança diferente, pelo contrário, ele sempre desenvolveu bem, e conseguiu acompanhar rapidamente as crianças da idade dele que nasceram a termo (aos 9 meses).

Enfim, chegou o momento que temeríamos, apesar dele ter passado por 2 cirurgias – a primeira do esôfago, a segunda para retirada de 1 rim sem função, essa terceira nos assustava demais, o medo era grande, não era  medo de perder meu filho, pois isso eu já sabia que não aconteceria, mas o medo do que a cirurgia em si nos poderia nos reservar, eram 3 alternativas, mas só saberiam qual caminho a seguir após abrir meu pequeno. Meu Deus, vocês não tem ideia a aflição que passei, meu filho internou 2 dias antes de operar, soubemos em cima da hora, mas já sabíamos que podia ser a qualquer momento, mas me ligaram num dia para internar no outro; depois da UTI esse foi o momento mais difícil e doloroso que passei como mãe, mas não poderia ser diferente e graças a Deus deu tudo certo, o choro virou alegria, mais uma batalha vencida, mais um gigante derrubado e morto, mais uma fantasma que foi embora é não volta mais, e agora, gradativamente meu pequeno guerreiro poderá comer como ele sempre quis, gradativamente, por cauda dos pontos do esôfago, o cuidado nesse inicio é muito importante, mas a felicidade de saber que o pior já passou não tem preço, e não precisamos dar lugar a pressa.

A minha tão sonhada maternidade não foi uma mar de rosas, tivemos dias tão difíceis, de choros, mas sem duvidas de muita alegria também, meu filho é minha razão de viver, ele supera todas as dificuldades em seu caminho, superou a prematuridade, pois SIM, já se igualou as crianças da idade dele, superou 3 cirurgias, e vai superar tudo o que vier. Estaremos sempre com ele nessa caminhada, ele foi escolhido a dedo, Deus nos deu essa criança preciosa para cuidar e amar por toda vida e assim tem sido, aqui é só um resumo do resumo do que passamos, não expus meus sentimentos, pois prolongaria mais ainda o texto, mas quem é mãe e pai pode imaginar o que passamos, muitas vezes não tínhamos forças para estar de pé, mas o Deus que nos deu a vida nos sustentou e esse mesmo Deus deu a vida ao meu filho e ele só motivos de alegria.

Quero aqui registrar meu eterno agradecimento à Dra Ana Cristina TannuriDoutora Assistente do Serviço de Cirurgia Pediátrica do Instituto da Criança HC-FMUSP e Cirurgiã Pediátrica do Hospital Santa Catarina, pelas duas exccelentes cirurgias realizadas no meu pequeno, temos o proposito de orar todos os dias pela vida, o que ela fez por nós pra que essa terceira cirurgia acontecesse não tem preço que pague, nossa gratidão é o minimo que podemos oferecer!

Isso é um pouco da nossa história, e aqui está a retro do °1 ano do meu pimpolho, é pra se emocionar!!

Beijinhos