Assimetria Craniana – já ouviu falar?

Como já contei diversas vezes, Filipe nasceu prematuro e ficou na UTI por quase 03 meses, e lá existia a preocupação com o vício da posição. Nesse período aprendi que deveria tentar um equilíbrio para não ficar mais de um lado e menos do outro. Mas era só isso que eu sabia, e ontem tive oportunidade de ouvir muita informação que, não é tão difundida.

Você já deve ter visto bebês com a cabecinha mais achatada para um lado, talvez até o pediatra já tenha lhe alertado, mas talvez tenha parado por aí, certo?!

A convite da assessoria da Clinica Heads, pioneira no assunto no Brasil, participei de um bate papo riquíssimo sobre ASSIMETRIA CRANIANA, e hoje quero dividir com vocês mais sobre esse assunto que é de UTILIDADE PÚBLICA, pois há prevenção, e essa informação precisa chegar ao máximo de pessoas.

No ano de 2005, ao completar 04 meses, a filha do médico brasileiro Gerd Schreen foi diagnosticada com plagiocefalia posicional, conhecida também como assimetria craniana, nomes até então desconhecidos por ele e a família. Ao buscar tratamentos no Brasil, o médico e sua esposa se deparavam sempre com as mesmas respostas dos colegas que consultavam: “É preciso se conformar, não há tratamento”. Além disso, minimizavam a importância do problema, considerando o caso “apenas estético”.

Mas o que é ASSIMETRIA CRANIANA (plagiocefalia posicional): é o achatamento da cabeça, que é causado pelo vício da mesma posição, e pode acontecer em dois momentos: na gestação, por diversos fatores, entre eles: gestação de múltiplos, muito tempo na mesma posição na barriga ou um parto complicado. Após o nascimento, ficar sempre e por muito tempo deitado com a barriga para cima ou até mesmo em outras posições. Os prematuros, por ficar muito tempo deitado, também tem grande risco. O nome é diferente e estranho, mas não se assuste, já que, a assimetria craniana é causada, pode sim ser corrigida.

De acordo com o Dr. Gerd, 12% das crianças saudáveis possuem assimetria craniana, e em poucos [pouquíssimos] casos é necessário cirurgia.

Após fazer muitas buscas e estudar sobre o assunto na literatura científica, o Dr. Gerd descobriu que havia como corrigir a assimetria craniana em sua filha, através de uma órtese craniana, uma espécie de capacetinho sob medida que prometia corrigir em alguns meses, porém não estava disponível no Brasil. Decidiu então levar o caso para o Dr. Benjamin Carson, no Johns Hopkins, em Baltimore, referência mundial em neurocirurgia pediátrica que os encaminhou imediatamente para o tratamento ortótico.

A família mudou-se para os Estados Unidos. Foram 6 meses de tratamento, e o resultado final foi gratificante. “Foi uma sensação incrível, minha caçula estava ótima. Nunca imaginamos que nos emocionaríamos tanto ao fazer uma “Maria Chiquinha” para o primeiro aniversário dela”, comenta o Dr. Gerd.

Ele conseguiu corrigir o caso de sua filha, mas sentiu-se desafiado para trazer o tratamento para o Brasil, levando em conta a quantidade de crianças que apresentam este problema aqui (cerca de 300 mil ao ano) e que não têm condições de mudar para outro país e pagar pelo procedimento. Foi aí que decidiu fazer uma especialização nos Estados Unidos no tratamento das assimetrias cranianas com órtese e manter contato com a empresa referência em orteses no mundo, a Orthomerica Inc. Hoje, a empresa oferece exclusividade no fornecimento de suas órteses em todo território brasileiro.

Tipos de assimetria [clique na imagem para visualizar em tamanho ampliado]

Você pode fazer um primeiro teste em casa seguindo essas orientações e comparar com essas imagens.

Para examinar seu bebê, molhe o cabelinho dele para enxergar melhor o real formato do crânio. Posicione-o inicialmente sentado no seu colo voltado para frente, olhando-o de cima para baixo. Para verificar o alinhamento de face, coloque-o deitado no trocador e olhe-o dos pés para cima. São 5 passos simples que você pode fazer em casa.

Se você identificar alguma diferença, é importante a avaliação do médico com experiência no assunto.

visão do topo formato da cabeça

visão de lado alinhamento da face

Como é feito o diagnostico:

Para ter resultados mais precisos, o exame é realizado na própria clinica, através do equipamento STARscanner, também da Orthomerica, o único equipamento capaz de oferecer na hora da consulta e sem invasão, todas as medidas da cabeça do bebê com absoluta precisão, além de fornecer o molde virtual para a confecção da órtese sob medida. O exame leva apenas 1,5 segundos, tudo isso sem uso de radiação, pois ele é a laser, e com total segurança para o bebê.

Após o exame realizado, ele identifica o grau de assimetria e como será a correção que pode ser: ou pela correção postural, que me muitos casos já pode-se corrigir assim, eliminando o vicio da mesma posição, ou dependendo do grau, é necessário o uso do capacetinho.

Bebê no scanner Scanner

Eu tive a oportunidade de ver de perto o capacete e minha percepção foi que, é um material leve e seguro para o bebê.

Segundo o Dr. Gerd, durante o tratamento necessário com o de capacete, a criança usa por um período de 23h, a outra 1 hora é para higienização da órtese e banho da criança.

O tratamento é indicado para crianças de até 01 ano e meio e dura em média 6 meses. Segundo o Dr. Gerd, a cabeça da criança tem um crescimento acelerado até os 2 anos, então é nesse período que pode-se corrigir o formato que, impactará no resto de sua vida, e dependendo do grau, pode impactar no relacionamento junto a sociedade.

Sobre o uso do capacete: ele é feito sob medida para cada criança, e é deixado uma folga onde existe a assimetria craniana, pois com o crescimento, a cabeça vai se igualando durante o tratamento. O acompanhamento é realizado a cada 15 dias.

Sobre os capacetes personalizados, vale ressaltar que isso é uma escolha da mãe, e não é personalizado na clinica.

Babies com órtese (1) Babies com órtese (30)

No nosso bate papo falou-se muito em prevenção, e as dicas são:

* Ao colocar o bebê para dormir de barriga para cima, posicione sua cabeça levemente voltada para um lado, depois para o outro, alternando o apoio. Por indicação as enfermeiras da UTI, fiz isso por um tempo com Filipe em casa.

* Evite o uso exagerado do bebê conforto. Este equipamento foi desenvolvido para ser usado no carro e seu uso deve se restringir a isso. Deixar o bebê por horas no bebê conforto certamente levará a um apoio excessivo na região de trás da cabeça. O mesmo vale para as cadeirinhas musicais que usamos muito em casa, carrinho de bebê, entre outros.

* É muito importante colocar o bebê de barriga para baixo por alguns períodos quando estiver acordado e sob supervisão. É o que chamamos de Tummy Time, ou “tempo de bruços”. Nessa posição, o bebê fica livre do apoio na parte de trás da cabeça, ao mesmo tempo em que desenvolve a musculatura da nuca e do ombro.

Se o bebê tem uma preferencia exagerada de virar a cabeça sempre para o mesmo lado ou tem até uma limitação para virar para o lado oposto, pode ter o chamado Torcicolo Congênito. Converse com um especialista para verificar se não há necessidade de fazer um pouco de fisioterapia para corrigir esse torcicolo, pois está fortemente associado à plagiocefalia posicional [assimetria craniana] por levar a um apoio viciado.

As informações foram colhidas durante o bate riquíssimo realizado na Clinica Heads com o Dr. Gerd e sua equipe.

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Beijinhos!

Lívia